Ontem, ao falar com uma pessoa, ela própria possuidora de um blog pessoal, fui uma grande fonte de confusão ao dizer que penso um dia blogar a tempo inteiro, sem ter uma “day job”. O espanto deveu-se, entre outras coisas, ao facto de as pessoas ainda pensarem em “blogs” como uma coisa inteiramente pessoal - mesmo no caso de um blogger que escreva, por exemplo, sobre tecnologia, isso, para muita gente, continua a tratar-se um blog pessoal - a pessoa escreve sobre a sua vida, que neste caso tem a ver com tecnologia.
Ou seja, nota-se aqui a equivalência comum entre “blog” e “diário“.
Ao explicar à pessoa em questão, ocorreu-me uma comparação útil: que o que escrevo, excepto no caso do blog pessoal, não se trata de “diários”, mas sim do equivalente a artigos para uma revista - na verdade, é como se publicasse várias revistas, cada uma sobre um tema. Quem gosta, lê, e volta. Quem procura por coisas sobre as quais eu escrevo, pode ir lá parar. E, como em qualquer revista nos dias de hoje, há publicidade.
Dizer que um blog é necessariamente um diário é extremamente limitativo… mas, no entanto, é essa a ideia geral, nos dias que correm.
Além de uma revista, um blog pode ser outras coisas. Um livro, por exemplo. Há já vários livros, publicados em papel, que começaram por ser blogs - eu próprio penso criar um ou mais, se bem que em formato electrónico, para começar.
Ou pode ser como um café - um ponto de encontro de amigos, ou simplesmente pessoas com gostos comuns, que gostem de conversar regularmente sobre os mesmos. Nesses blogs, os comentários são tão ou mais importantes que os posts propriamente ditos.
E há muitos outros tipos de blogs. A ideia de que um blog é “um adolescente a escrever sobre o que comeu ontem” faz tanto sentido como dizer, sei lá, que toda a banda desenhada é para crianças (o que, infelizmente, muita gente ainda acredita…).







