Arte de Blogar #7: Escrever bem (1 de 3)

(NOTA: este post é parte da série Arte de Blogar)

Já mencionei isto por alto na parte 4, mas acho que esta questão merece uma parte inteira dedicada a ela.

Escrever bem. O que é que isso quer dizer? E como conseguir tal feito?

Não pretendo escrever aqui “a sério” sobre a arte da escrita - existem já N livros e sites sobre o assunto, que vão muito mais fundo do que eu poderia ir neste espaço limitado - além de que me estaria a afastar do tema do blog, e a entrar em demasiado detalhe, o que faria com que ninguém lesse tais dissertações. Sendo assim, vou apenas dizer, em poucas palavras, o que é para mim “boa escrita” - é escrita sem erros de ortografia ou gramática, agradável de ler, que faça sentido ao ler “alto”, que evoque no leitor as emoções desejadas pelo escritor, e que exponha claramente as ideias deste último.


Erros de ortografia ou gramática fazem sempre uma coisa soar mal, e, pior, assumindo que o leitor os detecta (mesmo que inconscientemente), desviam a atenção do conteúdo para a forma - por outras palavras, o leitor foca-se mais no erro (que o faz abanar a cabeça e fazer “tsk, tsk”) do que nas ideias em si, que podiam até ser brilhantes. Não é elitismo da parte do leitor, é como a mente humana, em geral, funciona.

Ser agradável é, entre outras coisas, usar as palavras certas - não necessariamente palavras “caras”, mas também sem simplificações que insultem a inteligência do leitor. Se há uma palavra que diz exactamente o que querermos expressar, devemos utilizar essa palavra, e não uma “explicação para bebés” do significado da mesma. Por outro lado, se uma palavra corrente diz o que desejamos dizer, é essa a palavra a ser usada, e não outra com o triplo das sílabas e que obriga quem não seja um professor de línguas (e mesmo muitos que o sejam) a ir a um dicionário. Excepto em casos em que isso seja utilizado de forma humorística, esse uso acaba sempre por dar a ideia de exibicionismo - e, por conseguinte, de insegurança.

Outra forma de ser agradável tem a ver mais com um gosto pessoal meu: o humor. E não me refiro aqui a escrever comédia, ou “coisas para rir” - mesmo em assuntos mais sérios, como tecnologia ou história, uma comparação original que provoque um sorriso no leitor, uma metáfora peculiar, uma “punch line” no fim de uma explicação, tornam a leitura de um texto muito mais agradável do que se este se limitasse a expor as ideias de uma forma linear e monotónica. Alguns dos melhores escritores de sempre, como o Douglas Adams, eram mestres no uso de comparações originais, e recomendo vivamente a leitura das suas obras.

Evocar emoções no leitor não é fácil, e depende do estilo de cada um; há várias técnicas que não vou aqui listar. Uma forma de ver se se está a conseguir atingir esse objectivo é ler alto o que já escrevemos, e ver se algum ponto nos toca particularmente - ou se nos tocaria se fosse apresentado de outra forma.

Por último, a exposição clara de ideias implica, entre outras coisas, uma capacidade de introdução, exposição propriamente dita, e conclusão - ou seja, deixa-se o “miolo” para o meio, depois de já se ter introduzido os pontos principais, e termina-se com uma conclusão que realça de alguma forma o que acabámos de escrever. Por outras palavras, não se começa pelo fim, nem pelo meio, e não se termina com o meio, nem com o princípio. Para além disso, o que escrevemos deve seguir uma ordem lógica - algo que faz lembrar, de certa forma, o caminho percorrido num mapa, com uma origem e um destino, e um caminho entre os dois. Ou seja, ao escrever cada parte, cada ideia, devemos ter em mente o que vamos dizer a seguir, e a seguir, e a seguir, e por aí em diante… e como vamos terminar. E como faz sentido escrever por esta ordem, qual é a lógica dessa ordem.

Isto é mais fácil dito do que feito, mas enfim. :)

Como este post já está grande, deixo para a parte 8 as formas que sugiro para passar a “escrever bem”.

Continuar a ler a série: parte 8

2 Responses to “Arte de Blogar #7: Escrever bem (1 de 3)”


  1. 1 Hugo

    Para evitar erros de ortografia, eu colo o texto em um editor (como Word), corrijo os erros e só então eu publico.

  1. 1 meneame.net

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