Arte de Blogar #8: Escrever bem (2 de 3)

(NOTA: este post é parte da série Arte de Blogar)

Na parte 7, defini, por alto, o que entendo por “escrever bem”. Agora, como chegar a esse ponto? Afinal, não nascemos ensinados…

Obviamente, não tenho intenções de transformar este blog num pseudo-curso de letras ou linguística - este site é sobre blogging, e assim vai continuar. Mas, como já mencionei na parte anterior da série, escrever bem, sem erros, e de uma forma clara e agradável são factores importantes, e não é assim tão difícil consegui-lo. Aqui vão umas sugestões:

  • A sugestão principal é esta: ler. Não só ler é um dos maiores prazeres da vida, como é também o factor mais importante para falarmos e escrevermos bem, e para expressarmos bem as nossas ideias. Hoje em dia as pessoas têm, infelizmente, pouco esse hábito, e acredito que mais de metade da população nunca tenha lido um livro por prazer (e não por obrigação) na vida. Isso é triste, obviamente, já que não só representa uma grande perda para quem perde o prazer da leitura e as vantagens que daí vêm, mas também porque caminhamos cada vez mais para uma população de carneirinhos ignorantes que não sabem escrever uma frase sem vários erros, e que pensam que ler é “trabalho”. Desculpem, isto foi um “rant” pessoal. :)
    Anyway, ler, sobretudo ler coisas de qualidade (não precisam de ser grandes obras literárias, se bem que também não há qualquer mal nessas; basta que sejam jornais não desportivos, ou livros publicados, ou mesmo blogs de quem escreve bem), é a melhor fonte da nossa habilidade de escrita. Com o tempo, simplesmente deixamos de dar erros, deixamos de nos perguntar como é que se escreve esta ou aquela palavra, ou se “isto leva tracinho”, passamos a pôr as vírgulas e os pontos-e-vírgula nos sítios certos, passamos a usar maiúsculas no início das frases, e a usar frases claras, e, pasme-se, com verbos. :)
  • Ainda sobre a leitura: como todos somos até certo ponto influênciáveis, da mesma forma que é bom ler coisas “bem escritas”, para que nos habituemos a tal, também pode ser desejável evitar certos meios, em especial o IRC e outros chats, onde se encontram os piores exemplos de escrita, os maiores ataques - alguns deles até conscientes e intencionais - à ortografia, gramática, e língua Portuguesa (e outras) à face da terra. Note-se, não estou a dizer para saíres desses meios, apenas para ter cuidado com eles, sobretudo se não lês “coisas de jeito” para compensar.
  • Ler é mesmo o ponto mais importante, e acredito que é essencial. Mas, além disso, há outros pequenos “truques” que podemos usar para melhorar a qualidade do que escrevemos. Por exemplo, correctores ortográficos. Eu próprio não uso nenhum, mas para muita gente são úteis, até essenciais, e ajudam não só em relação a erros propriamente ditos, mas também a “typos”, ou seja, enganarmo-nos na tecla.
  • Outro ponto essencial é, ao acabar de escrever, ler o que escrevemos. Idealmente, alto; se não for possível, pelo menos a sussurrar, nem que seja “mentalmente”. Muitas vezes, detectamos não só simples erros ortográficos, mas também notamos que escrevemos frases que não fazem sentido, ou que repetimos muito uma palavra, ou que começámos pelo meio em vez de pelo princípio, ou que faltou mencionar uma ideia que era nossa intenção incluir. A melhor forma de fazer isto é ler depois de o que escrevemos estar publicado, e não quando ainda estamos a editar - ou seja, ler a versão publicada, o que, por alguma razão, faz com que a “levemos mais a sério”, e detectemos erros que normalmente não notaríamos.
  • Isto já pode ser “overkill” (em Português, “matar uma mosca com um canhão”), mas, no meu caso, noto que às vezes detecto novas falhas ao ler o que escrevi um pouco mais tarde (e não quando acabei de escrever), e, melhor ainda, se ler noutro meio - por exemplo, pelo browser do telemóvel, em vez de ler no computador onde acabei de escrever.
  • Também ajuda mostrar o que escrevemos a outra pessoa - nem tanto por esta ter um domínio da língua melhor do que o nosso (pode perfeitamente não o ter), mas porque ela pode notar erros recorrentes nossos, que fazemos sempre e por isso o nosso “detector mental” não vê. Ainda outra razão para isso: a pessoa pode não entender certa parte e perguntar “o que é que quiseste dizer aqui…?”, o que pode ser sinal de uma frase mal construída, ou de uma ideia mal explicada.
  • Finalmente, às vezes dou por mim a ver erros em coisas que escrevi há meses, e que na altura julgava não terem qualquer falha. Às vezes convém mesmo voltar ao que escrevemos já há um bom tempo - além desta questão, ainda pode ser útil para ter temas para voltar a “atacar” no blog - algo que mudou entretanto, desde que o artigo original foi escrito, ou algo que verificamos que não incluímos no post antigo e que merece um novo post.

Mas nada substitui ler. Por isso, se não queres soar como um adolescente cheio de acne num chat room, vai ver o que tens na estante, e que compraste só para ela não parecer muito vazia. :)

Continuar a ler a série: parte 8.5

5 Responses to “Arte de Blogar #8: Escrever bem (2 de 3)”


  1. 1 velvetsatine

    Li por alto o post mas parece-me conter alguns pontos bastante interessantes. Na minha opinião muito pessoal escrever bem acarreta sempre dois pontos cruciais: o domínio naturalmente da língua e o conteúdo daquilo que se escreve. Já me tem acontecido ler coisas muito bem escritos mas com um conteúdo muito fraco e fútil e, por outro lado, já me aconteceu ler coisas verdadeiramente interessantes e inspiradoras sendo no entando a mestria linguística não tão boa. Mas quando essas duas coisas surgem de mãos dadas e de fomar genial estamos então perante algo digno de ser lido e relido. Eu refiro-me obviamente à literatura, essa arte suprema da escrita.

    No que diz respeito a blogar visito muitos blogs e noto que existe muita gente a escrever muito bem e sobre coisas muito interessantes. Cada qual imprime no seu texto a sua pessoalidade, são originais na forma como usam as palavras e juntam as frases. Um texto revela muito sobre quem o escreve; sobre isso não existem quaisquer dúvidas.

    Ler, tal como escreves, é indubitavelmente um excelente conselho. Alarga-nos os horizontes, torna-nos mais críticos, permite-nos expandir o nosso vocabulário, permite-nos também notar a forma infinita de fazer juntar palavras, fazer frases e criar textos.

  2. 2 Pedro Timóteo

    Blogs, em geral, até não são muito mal escritos (claro que há excepções), possivelmente porque quem escreve mal tende a não gostar de escrever. Mesmo assim, como eu digo aqui, escrever bem é mais do que apenas não cometer erros…

  3. 3 velvetsatine

    E como eu disse para mim escrever bem não é sinónimo de não dar erros. ;-)

  1. 1 Escrever bem » As Ostras vão dominar o Mundo!
  2. 2 1ª Biblioteca Mundial Digital « Reticências…
    Pingback on Oct 4th, 2007 at 3:01

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