Arte de Blogar #9: HTML válido

(NOTA: este post é parte da série Arte de Blogar)

Tenho a certeza de que muita gente não vai achar que esta parte é relevante, mas a minha experiência diz-me que é.

Sabes o que é HTML, certo? A maior parte dos leitores provavelmente saberá o que é. Não é necessário, no entanto, saber HTML para ter um blog, no entanto, especialmente se usares um serviço como o Blogger ou o LiveJournal - eles tratam da maior parte das questões técnicas. É por isso que qualquer um pode blogar, e não apenas informáticos. E ainda bem.

Mesmo assim, não te levará muito tempo, nem custará muito, assegurares-te de que o teu blog - todo ele - é HTML válido. Vou falar primeiro do “como”, e depois do “porquê”.


Como ter a certeza de que o HTML do teu blog é válido? A melhor forma é validá-lo, e, por coincidência, a World Wide Web Consortium, a entidade que cria e mantém os standards da Web, como o HTML, XHTML e outros, tem um óptimo validador de HTML. Vá, experimenta. É só clicares nesse link, introduzires lá o endereço do teu blog, clicar em “Check”, e esperar uns segundos.

Se validou completamente, parabéns! Mas provavelmente isso não aconteceu, pois não? OK, então olha para os erros, mais abaixo. Se usas um dos serviços de blogging mencionados acima, eles normalmente têm o seu código perfeitamente correcto, por isso é provável que o erro ou erros estejam no teu próprio conteúdo. Talvez seja um link especificado incorrectamente, ou uma tag (ex. <a> ou <p>) que te esqueceste de fechar, um link de imagem (<img>) sem uma descrição “alt="something"“, ou possivelmente algum código que copiaste de uma página mal feita (talvez criada no FrontPage ou outra abominação semelhante). Corrige esses, se fores capaz - como eu disse, não é muito trabalho, nem ocupa muito tempo, e depois de estar corrigido, fica corrigido. Se houver algum erro que não saibas corrigir, pede a um amigo mais técnico - se ele for realmente bom, e gostar de fazer as coisas bem feitas, ficará todo contente e dirá algo como “Ah, como era bom que mais pessoas me pedissem isto… nem imaginas o que tenho de aguentar.” :)

Uma pequena ajuda: olha para os erros que o validador te dá por ordem. Muitas vezes, ao corrigires o primeiro erro, a maior parte dos outros “desaparecem” ao re-validar. Isso acontece porque os outros “erros” referem-se a coisas que estão correctas, mas que são afectadas pelo primeiro erro, já que esse faz com que uma tag necessária não seja reconhecida pelo validador.

Outra sugestão: muitos sites relacionados com blogs fornecem-te código para inserires no teu blog banners ou links para eles. Na sua maioria, esse código é correcto, mas em alguns casos não é. Com um pouco de prática, esses erros “saltam à vista”: por exemplo, talvez eles não ponham os valores entre aspas (width=50% (errado) em vez de width="50%" (correcto)). O validor avisar-te-á deles, mas com o tempo serás capaz de os detectar mal olhas para o código fornecido.

Porque é que isto é importante?

Talvez, ao ler isto, a primeira coisa que te vem à cabeça seja algo como “o meu blog aparece bem no Internet Explorer, por isso para quê estar com este trabalho todo para corrigir erros que nem vejo?” Talvez tu não os vejas, mas, provavelmente, muita gente vê-los-á. Uns por usarem outros browsers, como o Firefox ou o Opera, outros por usarem outros sistemas operativos, como o MacOS ou o Linux. Até o próximo Internet Explorer pode (assim esperamos…) ser mais exigente em relação a código válido, e, aí, toda a gente que passar do IE 6 para o IE 7 vai ter problemas para ver o teu blog, coisas sairão do sítio, erros serão visíveis, etc..

Além disso, cada vez há mais pessoas a aceder à Web com outro tipo de dispositivos, em vez de PCs ou Macs. Por exemplo, telemóveis, Blackberries, PDAs, Sony PSPs… e de certeza que não tens forma de testar o teu site em todo esse equipamento. Mas, se respeitares os standards, todos esses utilizadores poderão ver e navegar no teu site, sem qualquer problema.

Se uns meros minutos de trabalho significam que o teu blog pode ser visualizado correctamente por 100% dos utilizadores em vez de 75%, porque não fazê-lo?

E não é só uma questão de browsers. O teu blog, provavelmente, terá também um feed RSS (vou falar deles em pormenor, mais tarde), e, guess what, esse feed é gerado a partir do código HTML. E esses feeds são em XML, que é bem mais exigente em termos de código correcto. Um simples erro, aí, fará com que muitos leitores / agregadores de feeds recusem o teu, por ser inválido.

E bots de motores de busca (falarei deles noutra parte da série), que fazem com que o teu blog, e artigos individuais dele, apareçam no Google, Yahoo e outros? Pois, esses bots também interpretam HTML. Talvez eles não “engulam” aquele pedaço de HTML inválido que o Internet Explorer aceitou.

Por último (e este último é uma opinião pessoal), uma pessoa deve ter orgulho naquilo que faz. Mesmo que seja algo que fazemos só por piada. Se existe uma forma certa e uma forma desleixada, escolhe a forma certa. Mau HTML é como má ortografia: OK, as pessoas provavelmente até vão entender o que queres dizer, mas…

Continuar a ler a série: parte 10

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