Arte de Blogar #8.5: Escrever Bem (3 de 3)

(NOTA: este post é parte da série Arte de Blogar)

Três ponto cinco. Já começo. :) Quando finalmente escrever o livro, vou ter de re-ordenar isto…

Já leste a parte 1, sobre o que é escrever bem? E a parte 2, em que, entre outros, menciono o método supremo e infalível para passar a escrever bem? (é uma palavra de 3 letras.) Se não o fizeste, sugiro que corrijas essa imperdoável falha. :) Caso contrário, se bem que o mais importante de tudo (essencial, e muitas vezes suficiente) já foi dito na parte 2, aqui vão mais umas dicas…

  • Começar a escrever: muitas vezes, estamos completamente sem ideias: o chamado “writer’s block”. Não sabemos por onde começar, e todas as palavras, frases ou ideias que nos vêm à cabeça soam-nos horrivelmente. Sentimos que não conseguimos mesmo começar, que, se o fizessemos, o resto até fluiria naturalmente, mas o início do texto (artigo, capítulo, etc.) teima em não vir. E enquanto não conseguirmos ultrapassar isso, não escrevemos. “Talvez amanhã esteja mais inspirado”, pensamos nós.
    Esta atitude é um erro - o “writer’s block” ultrapassa-se escrevendo. O início não está a sair a obra de arte que sabemos ser capazes de escrever? Paciência. Depois de o resto estar escrito, muitas vezes, naturalmente e sem qualquer esforço, a “introdução ideal” surge-nos na cabeça, e é só questão de passar para o papel (ou, neste caso, o blog) aquilo que já está “escrito” na nossa mente. Por outras palavras, a solução é simplesmente escrever, sem nos preocuparmos com o facto de o início do texto não estar com a qualidade que devia - basta voltar ao mesmo depois de termos terminado.
  • Quantidade, mas sem sacrifício - este é um ponto que vou focar mais profundamente numa futura parte da série, mas fica aqui desde já. É bom escrever, e quanto mais o fazemos melhor somos a fazê-lo. Às vezes, porém, é necessário fazer um pequeno esforço para ultrapassar a preguiça - e vale a pena fazer tal esforço. Por outro lado, quando realmente não nos apetece mesmo, mesmo nada escrever (ou pelo menos escrever sobre aquele assunto, ou naquele blog), não nos devemos forçar. Escrever é um “trabalho” no sentido em que é possível ser a nossa profissão, e é possível viver disso; no entanto, não deve ser “trabalho” no sentido comum de sacrifício, de coisa que só fazemos para ganhar a vida.
  • Originalidade: a não ser que o nosso blog seja completamente formal, de forma a que os artigos tenham de ser escritos segundo um padrão definido (limitação que não desejaria para mim, obrigado), é bom ser original de vez em quando - não propriamente no tema do artigo (afinal, em geral, um blog tem um tema), mas sim no estilo, na forma do mesmo. Por exemplo, contar uma história, ou inventar um diálogo (por exemplo, uma entrevista fictícia) entre dois personagens para expor um assunto, ou um pseudo-relato desportivo, um anúncio de TV ou rádio, um monólogo interior… tudo isto tem, se bem feito, a capacidade de evocar um sorriso no leitor, e de o surpreender - além de dar côr a temas mais “cinzentos”.
  • Humor: já o mencionei na parte 2. A ideia, aqui, não é tornar todo e qualquer blog uma “comédia”, de fazer o leitor rebolar no chão às gargalhadas (a não ser que o tema do blog seja esse); é, sim, mais uma vez, fazê-lo sorrir de vez em quando, pô-lo à vontade, fazê-lo quase “sentir-se em casa”. Não me refiro, portanto, a “piadas” propriamente ditas, mas, sim, ao uso, nas alturas apropriadas, de ironia, de comparações ou metáforas originais, referências, uso de cultura popular, e afins.
  • “Writer’s block” a meio do texto: às vezes “encalhamos” a escrever. É normal. Nestes casos, de acordo com a minha experiência, a melhor forma de ultrapassar o problema é ler o que já escrevemos, desde o início. Em quase todas as vezes, quando chegamos ao ponto onde íamos, o que escrever a seguir torna-se óbvio.
  • Evita abreviaturas ou linguagem de IRC: “k” em vez de “qu”, “qq” em vez de “qualquer”, números no lugar de letras supostamente parecidas com eles, doses cavalares de pontos de exclamação ou interrogação… tudo isso grita “ensino secundário” (e se calhar estou a ser generoso :) ). Mais uma vez, não estou a sugerir formalismo, apenas qualidade - é possível escrever de forma informal e casual, mas sem assassinar a nossa língua. E, não, erros propositados não são apenas “um estilo diferente de escrever”.
  • Uso de maiúsculas: elas não existem apenas para GRITAR. Um texto com as maísculas nos sítios certos (início das frases, nomes próprios, etc.) é muito mais legível do que um totalmente escrito em minúsculas… ou, pior ainda, totalmente em maiúsculas.
  • Tipos de texto: itálicos, bolds ((desculpem, mas “negrito” sempre me soou incrivelmente estranho. :) )), sublinhados e texto menor, quando usados correctamente, e sem exageros, podem tornar um texto mais claro e mais fácil de ler, dando ênfase aos pontos principais.

Continuar a ler a série: parte 9

2 Responses to “Arte de Blogar #8.5: Escrever Bem (3 de 3)”


  1. 1 João Craveiro

    Deixa-me só introduzir um ponto contra o uso do sublinhado: confunde os leitores — isto porque, no caso de um blog, um leitor é também um internauta/cibernauta, e o sublinhado é geralmente associado a links.

  2. 2 Pedro Timóteo

    É verdade. Mas o facto de não estar a azul reduz isso um pouco. Normalmente tento combinar com o itálico…

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