(NOTA: este post é parte da série Arte de Blogar)
Tal como mencionei na introdução à monetização de blogs, uma das formas mais usuais de fazer dinheiro com um blog ou site é através de banners de anúncios.
Estes não são novos: já “andam por aí” (e em crescimento) desde os anos 90. Porém, rapidamente atingiram um estado de saturação, e os utilizadores tornaram-se quase “imunes” a eles, passando a “filtra-los” mentalmente ao browsar páginas web. Mais grave ainda foi o seguinte: as tentativas dos anunciantes de combater essa “cegueira a anúncios” foi precisamente o pior que podiam fazer - tornar os banners mais difíceis de ignorar fazendo-os mais irritantes e intrusivos. Em vez de serem uma simples imagem de 468×60 estática, passaram a ser animados, a utilizar Flash ou Java para ser “interactivos” (Punch the Monkey and win!
), ou a ter som, ou, pior ainda, a aparecer em novas janelas - os incómodos e desrespeitosos “popups” que, até aparecerem browsers como o NetCaptor, o Mozilla, o Firefox e versões mais recentes do Opera, eram um pesadelo para quem quer que navegasse na Internet. Mas os anunciantes não ficaram por aí - ao notarem que as pessoas se habituavam a fechar janelas de popup sem sequer olhar para as mesmas, devido à sua ganância e falta de visão, continuaram a criar formas de forçar as pessoas a ver os anúncios, inventando horrores como os “popunders” (popups que aparecem por baixo da janela actual, e que lá estarão quando esta for fechada), anúncios de página inteira, popups “não fecháveis”, popups que, ao ser fechados, fazem aparecer novos popups…
E depois tiveram a lata de ficar surpresos quando a publicidade foi resultando cada vez menos, e dando cada vez menos dinheiro.
Só com o Google e a sua rede AdSense é que as coisas começaram a melhorar - surpreendentemente, tanto para anunciantes como para utilizadores normais. Isso porque o Google fez o que, na altura, era impensável: tornar os anúncios menos intrusivos, em vez de mais.
Em vez janelas animadas com som, a ocupar a totalidade do ecrã, e que resistem a ser fechadas, os anúncios AdSense são, na sua maioria, texto. Graças aos dados do seu motor de busca, os anúncios são contextuais, ou seja, relacionados com a página ou site em questão. Os formatos e cores dos anúncios são configuráveis pelo dono do site, de forma a se integrarem no mesmo, ou, em alternativa, chamar a atenção - tudo decidido pelo dono do site, não pelo anunciante.
Podes imaginar o resultado: os anunciantes fizeram um monte de dinheiro, os donos de sites fizeram imenso dinheiro, o Google fez imenso dinheiro, e, mais importante, os anúncios em sites voltaram a ser suportáveis. Muitos que absolutamente detestavam anúncios deram por si a clickar em alguns, e donos de sites que tinham desistido de ter anúncios porque estes irritavam os utilizadores e faziam com que estes não regressassem, voltaram a ter uma forma de ganhar algum dinheiro com os seus sites.
Tanto o Yahoo! como a Microsoft parecem estar a seguir os passos do Google, já que ambos estão neste momento a testar as suas próprias redes de anúncios contextuais não intrusivos e baseados primariamente em texto. Isto é positivo, já que a ausência de competição tende a provocar preguiça, desleixo, arrogância, e uma redução gradual da qualidade (basta olhar para a Microsoft!
). Mas, por enquanto, vou focar-me no AdSense.
Continuar a ler a série: parte 28






0 Responses to “Arte de Blogar #27: Fazer dinheiro com um blog - Sobre o AdSense”