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Blogs Interessantes e Blogs Úteis

Depois de falar aqui sobre blogs pessoais e temáticos, é altura de abordar outro tema, talvez mais importante para quem tem ideias de ganhar dinheiro com blogs: a classificação dos mesmos em interessantes ou úteis.

Blogs Interessantes

Em primeiro lugar, quando digo “interessante”, não me refiro à qualidade do blog, nem ao facto de ele realmente me interessar; pode ser mal escrito, ou abordar um tema que não me interesse minimamente. A questão aqui é que o “apelo” do blog é o facto de este poder interessar a certo tipo de leitores.

Trata-se de blogs lidos, em geral, por gosto, como entertenimento. O leitor lê o blog em questão porque gosta da forma como o autor escreve, porque concorda com o que ele diz, porque quer saber novidades sobre algum tema, e afins.

Em geral, todos os blogs pessoais podem-se classificar como “interessantes”, mesmo que ocasionalmente possam ter posts “úteis” (ver abaixo). Blogs de notícias / comentários sobre algum tema são também “interessantes”. O mesmo para blogs de opinião (política, desporto, etc.).

Em geral, é mais difícil monetizar este tipo de blogs, já que os leitores não se sentem “agradecidos” ao autor, e não aceitam facilmente fazer coisas a pedido dos mesmos, nem aceitarão de bom grado publicidade em feeds, por exemplo. Será, também, bastante raro que posts nestes blogs tenham sucesso no social bookmarking, ou que recebam um grande número de links.

Exemplos: qualquer blog pessoal.

Blogs Úteis

Mais uma vez, “útil”, aqui, não quer dizer que o seja para mim ou para ti, mas apenas que é o que define o blog: as pessoas lêem-no porque querem tirar dali informação útil, dicas, conhecimento, etc..

Não quer dizer que não seja interessante (pode sê-lo em geral, se o autor tiver um estilo de escrita simpático, ou sê-lo em casos específicos, para quem se interesse genuinamente pelo tema). Mas o “foco” principal do blog é ser útil a quem o lê.

Repare-se que não é o tema do blog, em si, que determina se ele é “útil” ou “interessante”. Um blog de notícias sobre o mundo do blogging é “interessante”, mas um blog com dicas sobre blogging (como este!) é “útil”… e no entanto são ambos sobre blogging.

Em geral, é mais fácil monetizar estes blogs. Os leitores sentem-se “agradecidos” ao autor, fazem mais facilmente coisas a pedido dele, dão sugestões para ajudar, sentem-se parte de uma comunidade, e não têm tantos problemas com a publicidade (mesmo em feeds). É comum, no caso de blogs mais populares, que quase todos os posts apareçam espontaneamente em sites de social bookmarking, e, desses, uma boa parte terá sucesso, e trará milhares de novos leitores ao blog (isso não acontece com este, já agora, porque é em português, e o social bookmarking “a sério”, de trazer dezenas de milhares de visitantes por dia, é em inglês).

Claro que, aqui, há dois factores que contam muito: a qualidade e a originalidade. Se a informação não é realmente útil, prática, e bem apresentada, o blog não terá grande sucesso. Da mesma forma, se todos os posts forem “regurgitados” de blogs mais populares sobre o mesmo tema, isso não atrairá leitores; eles preferirão a “fonte” original.

Exemplos: este blog :) , o ProBlogger, o LifeHacker, o Pedro e o Blog (não, não sou eu), e muitos outros.

Blogs Pessoais e Blogs Temáticos

Mencionei, no post anterior, o facto de muitos portugueses terem uma noção limitada de “blog”: para eles, um blog é pessoal, e pronto. A ideia de blogs temáticos passa-lhes completamente ao lado; ou então, quando deparados com essa ideia, acham-na “comercial”, “sell-out”, etc..

De qualquer forma, talvez seja bom definir melhor os termos.

Por exemplo, para muita gente, um blog pessoal é como um diário, em que a pessoa conta o que vai fazendo, faz desabafos, e dá opiniões sobre coisas das quais não percebe nada. :) Isto, porém, também é uma ideia limitada do que é um blog pessoal. Ou então podemos chamar a isso um blog pessoal puro… mas já vamos ver que há, na verdade, poucos desses.

A maior parte dos blogs são o que se pode chamar “semi-pessoais”, mas talvez seja bom ver estes como os verdadeiros blogs pessoais. Ou seja, o autor não escreve necessariamente sobre coisas íntimas ou pessoais (ex. o que tem feito), mas simplesmente escreve sobre o que lhe apetece. Isso tende, naturalmente, a coincidir com os seus interesses (por exemplo, um geek escreverá sobre temas “geeky”), mas, mesmo assim, o blogger em questão não está limitado a tema nenhum. Escreve sobre o que quer, dá opiniões sobre o que quer, pode ocasionalmente contar alguma experiência sua, ou dissertar sobre determinado tema (ex. o livro que acabou de ler, o filme que viu ontem, o problema social de que os jornais falam na altura, as suas peripécias ao instalar um Linux, etc.), mas o post seguinte pode não ter nada a ver.

Ora, como disse, acho que são estes blogs que se podem chamar “pessoais”; acho que limitá-los aos “querido diário” é limitativo e não faz realmente sentido (além de que, aí, todos os blogs pessoais seriam de adolescentes :) ).

Uma coisa que é comum a todos ou quase todos os blogs deste género é que são o único blog do autor. Afinal, se ele escreve sobre o que lhe apetece, não há necessidade de ter mais blogs, pois não?

Por esta definição, por exemplo, todos ou quase todos os blogs no Planeta Asterisco são “pessoais”. A maioria fala bastante sobre tecnologia, é certo, mas apenas porque isso faz parte dos interesses dos autores; não houve uma decisão tipo “vou criar um blog sobre tecnologia.”

A alternativa a blogs pessoais é, obviamente, os blogs temáticos. Aqui, há uma decisão consciente: escrever sobre determinado tema (o que não impede que haja excepções, ocasionalmente). Neste caso, o blog assemelha-se a uma “revista”, e não a um “diário”. Assim como há revistas sobre informática / carros / fotografia / finanças, há blogs sobre informática / carros / fotografia / finanças.

Estes blogs tendem a 1) pertencer a quem tem mais do que um blog, e 2) ter mais do que um autor por blog (tal como uma revista tem artigos de diversos autores, ou um jornal vários repórteres). Contraste-se isso com os pessoais, em que 99% dos casos há a correspondência “1 blog - 1 autor”.

Como disse no início, ainda há quem considere que “blogs” são sempre dos primeiros (pessoais). Felizmente, as percepções vão mudando com o tempo, e os blogs temáticos começam a não ser vistos como “aberrações”.

A seguir: blogs “interessantes”, ou “úteis”?


Como impedir que roubem conteúdo do teu blog

Devido a ser tão fácil começar a fazer dinheiro com o AdSense e serviços semelhantes, muita gente menos escrupulosa pensa que, se conseguirem ter milhares - ou milhões - de páginas, e colocarem anúncios nas mesmas, terão sempre algum tráfego vindo de motores de busca, o que, multiplicado pelos tais milhares ou milhões, implicará um bom dinheiro.

Como é que conseguem ter tantas páginas rapidamente e sem trabalho? Roubando conteúdo a outros - sobretudo através de feeds. Utilizando scripts simples, é possível ler centenas e centenas de feeds, e gerar páginas web a partir deles. Desta forma, conseguem esses milhares ou milhões de páginas, quase instantaneamente, e sem qualquer trabalho.

Felizmente, os motores de busca como o Google “não gostam” de conteúdo repetido, e os seus algoritmos de indexação incluem formas de determinar qual é a “fonte original” de cada conteúdo. Isto ajuda a reduzir a eficácia daquelas páginas de “conteúdo automático”, já que o Google deverá sempre - ou quase sempre - fazer as páginas originais aparecer primeiro nos resultados de pesquisas.

De qualquer forma, há algumas coisas que tu, como blogger, podes fazer para “punir” os ladrões de conteúdos, tornando óbvio que 1) o conteúdo dos sites deles é roubado, e 2) é roubado de ti. Aqui estão algumas possibilidades:

  1. Usa links internos - Quando escreveres um post sobre determinado assunto, quando apropriado, menciona (e linka para) um post teu anterior, relacionado com o assunto. Os scripts dos ladrões, quase de certeza, deixarão esses links intactos. Isso também tem outras vantagens não relacionadas com o roubo de conteúdos, em termos de SEO, e de manter os leitores no teu blog por mais tempo (vês o que quero dizer? :))
  2. Acrescenta uma nota de copyright - seja apenas no feed, seja nos próprios posts também. Por exemplo, se usares o Angsuman’s Feed Copyrighter Plugin for WordPress, passas a ter uma dessas notas (que inclui um link para o teu blog blog) adicionada automaticamente a cada post, no feed (se bem que tive de fazer algumas alterações ao plugin para este funcionar correctamente com o FeedBurner).
  3. Usa feeds incompletos - sem dúvida que isto ajuda, já que os teus feeds se tornam inúteis para os ladrões de conteúdos. E pode até aumentar um pouco o tráfego no teu blog, já que as pessoas já não podem ler os teus posts inteiros no agregador. Mas acho que isto é “evil”. Eu próprio não leio feeds incompletos (não acho prático), e não quero forçar outros a fazê-lo; sendo assim, uso feeds completos. Não vou deixar que aquela escumalha desonesta me force a “estragar” os meus blogs.

Repara que não sugiro queixares-te aos ladrões de conteúdos. Provavelmente não resultará (a não ser que incluas advogados), e não compensa o esforço.

O uso de regras de Apache ou de firewall também pode resultar caso a caso, mas, uma vez mais, é demasiado esforço, e obriga-te a andar “atrás” dos ladrões. E, de qualquer forma, não resultaria com o FeedBurner.

No meu caso, uso o primeiro método, e estou a adoptar o segundo progressivamente nos vários blogs. Assim, fica óbvio tanto para os leitores como para os motores de busca que os artigos têm outra origem… e, incidentalmente, cada post roubado linka para mim. :)

Sim, é verdade que o ladrão poderia programar os seus scripts para tentar remover as mensagens de copyright… mas isso já é mais trabalho do que estarão preparados para fazer, considerando que provavelmente roubam conteúdo de centenas ou milhares de feeds simultaneamente. Ora, isso só compensa se o puderem fazer de forma automática… e isto torna a coisa mais difícil para eles. Ou deixam de roubar os teus feeds, ou ignorarão o problema, e mostrarão as tuas mensagens de copyright… e links para o teu blog em cada post.

Performancing: Conta uma Boa História

Um novo artigo no Performancing, de nome Tell a Good Story, fala como tornar blogs pessoais mais interessantes.

As pessoas têm, em geral, a ideia de que um blog pessoal consiste num adolescente niilista a lamentar-se do absurdo da existência, enquanto fala do que comeu ontem. E, sem dúvida, há muitos que não passam disso. :)

Mas mesmo um blog pessoal, não temático, pode ser muito mais interessante do que o exemplo acima. Pode ter interesse, se não necessariamente “geral” (por outro lado um blog temático também não tem interesse geral, mas apenas para quem se interessa pelo tema), pelo menos para quem, mesmo sem conhecer o autor, tenha gostos e personalidade vagamente em comum com o mesmo.

A sugestão do autor é, basicamente, contar uma boa história. Ao falar da nossa vida, podemos ser mais criativos, criar mistério, fazer o post ser totalmente irresistível para quem o comece a ler. Ou podemos apenas limitar-nos a enumerar factos. Obviamente, a primeira forma é muito superior… mas também muito mais rara.

O melhor é mesmo ler o artigo, está muito interessante e vai muito mais longe do que este resumo. :)

Arte de Blogar #22: Nenhum blogger é uma ilha

(NOTA: este post é parte da série Arte de Blogar)

(um pedido de desculpas, para já, ao John Donne.)

O que é que o título desta parte quer dizer? Imagina, por exemplo, o dono de uma loja. Será que ele se limita a abrir a loja, escolher um conjunto de produtos, pensar em preços razoáveis, e de seguida vender os produtos? Se ele fizer apenas isso, não terá grande sucesso. É muito provável que, além disso, ele visite a concorrência (tanto perto como longe), com frequência. Ao fazê-lo, ele fica ao corrente das modas, do que vende mais, de novas ideias, da média de preços da concorrência, e outras coisas. Com essa informação, ele adaptar-se-á ao mercado, de forma não só a ser competitivo, mas a ter um “extra” que o distingue da competição, fazendo com que escolham a sua loja.

No caso de um blog, se por um lado o aspecto competitivo não é tão importante (se bem que pode ser relevante para certos tipos de blogs), as outras partes - aprender, manter-se actualizado, e novas ideias - são essenciais.

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Arte de Blogar #21: Separa os teus posts no tempo

(NOTA: este post é parte da série Arte de Blogar)

Há alturas da tua vida de blogger em que as ideias parecem fluir de forma invulgarmente abundante, em que, mal acabas de escrever um post, tens uma ideia para outro. Estas alturas são óptimas - sentes que podes “dominar o mundo”, e escreves artigo brilhante após editorial brilhante após comentário brilhante após guia brilhante.

Aproveita essas alturas - não são tantas como idealmente seriam.

Mas o facto de escreveres posts a uma velocidade tão alta num mesmo blog pode-se tornar um problema. Por exemplo, os serviços de pings podem rejeitar todos os pings excepto o primeiro, mesmo que sejam 3 ou 4 posts seguidos. (em casos extremos, podem até achar que se trata de uma tentativa de spam, e bloquear o teu blog… mas, felizmente, isto não é comum.) Além disso, certo tipo de agregadores, que mostram os posts de vários autores “misturados”, por ordem cronológica, como é o caso do (pub) Planet Atheism, mostrarão todos os teus posts juntos, e isso pode fazer com que algumas pessoas “saltem” o grupo de posts, como sendo “muita coisa deste tipo”.

Assim sendo, é melhor que separes os teus posts no tempo. A maior parte dos serviços ou software de blogging permite que escrevas os posts antecipadamente, para serem publicados à hora que definires; por exemplo, no WordPress, há uma opção “Post Timestamp”, que, se não for alterada, é a data e hora actuais, mas que pode ser configurada para qualquer ponto no futuro.

Vamos supor, então, que escreves 4 posts seguidos no mesmo blog. Tens várias opções:

  1. Divide-os igualmente pelo dia inteiro: 24/4=6, por isso faz cada post aparecer 6 horas após o anterior
  2. Igual ao anterior, mas considerando só o horário diurno, ou seja, divididos igualmente entre as 8 da manhã e as 10 da noite
  3. Separados, simplesmente, 1-2 horas entre eles.

Todas estas formas funcionam perfeitamente, por isso acabam por ser uma questão de preferência.

Também é possível fazer isto a uma escala maior: supõe que vais uma semana de férias. Uma boa ideia, nesse caso, é escrever 7 posts antecipadamente, e fazê-los aparecer automaticamente no teu blog, um por dia.

Continuar a ler a série: parte 22

Arte de Blogar #20: Quantidade

(NOTA: este post é parte da série Arte de Blogar)

É comum dizer-se que a qualidade é mais importante do que a quantidade. Mas uma coisa não tem de impedir a outra; por outras palavras, se é certo que existe um limite humano para a quantidade que conseguimos produzir, esse é um caso extremo, e, em geral, é possível escrever mais sem que a qualidade desça.

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Arte de Blogar #8.5: Escrever Bem (3 de 3)

(NOTA: este post é parte da série Arte de Blogar)

Três ponto cinco. Já começo. :) Quando finalmente escrever o livro, vou ter de re-ordenar isto…

Já leste a parte 1, sobre o que é escrever bem? E a parte 2, em que, entre outros, menciono o método supremo e infalível para passar a escrever bem? (é uma palavra de 3 letras.) Se não o fizeste, sugiro que corrijas essa imperdoável falha. :) Caso contrário, se bem que o mais importante de tudo (essencial, e muitas vezes suficiente) já foi dito na parte 2, aqui vão mais umas dicas…

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Arte de Blogar #8: Escrever bem (2 de 3)

(NOTA: este post é parte da série Arte de Blogar)

Na parte 7, defini, por alto, o que entendo por “escrever bem”. Agora, como chegar a esse ponto? Afinal, não nascemos ensinados…

Obviamente, não tenho intenções de transformar este blog num pseudo-curso de letras ou linguística - este site é sobre blogging, e assim vai continuar. Mas, como já mencionei na parte anterior da série, escrever bem, sem erros, e de uma forma clara e agradável são factores importantes, e não é assim tão difícil consegui-lo. Aqui vão umas sugestões:

Continue reading ‘Arte de Blogar #8: Escrever bem (2 de 3)’

Arte de Blogar #7: Escrever bem (1 de 3)

(NOTA: este post é parte da série Arte de Blogar)

Já mencionei isto por alto na parte 4, mas acho que esta questão merece uma parte inteira dedicada a ela.

Escrever bem. O que é que isso quer dizer? E como conseguir tal feito?

Não pretendo escrever aqui “a sério” sobre a arte da escrita - existem já N livros e sites sobre o assunto, que vão muito mais fundo do que eu poderia ir neste espaço limitado - além de que me estaria a afastar do tema do blog, e a entrar em demasiado detalhe, o que faria com que ninguém lesse tais dissertações. Sendo assim, vou apenas dizer, em poucas palavras, o que é para mim “boa escrita” - é escrita sem erros de ortografia ou gramática, agradável de ler, que faça sentido ao ler “alto”, que evoque no leitor as emoções desejadas pelo escritor, e que exponha claramente as ideias deste último.

Continue reading ‘Arte de Blogar #7: Escrever bem (1 de 3)’





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