Mencionei, no post anterior, o facto de muitos portugueses terem uma noção limitada de “blog”: para eles, um blog é pessoal, e pronto. A ideia de blogs temáticos passa-lhes completamente ao lado; ou então, quando deparados com essa ideia, acham-na “comercial”, “sell-out”, etc..
De qualquer forma, talvez seja bom definir melhor os termos.
Por exemplo, para muita gente, um blog pessoal é como um diário, em que a pessoa conta o que vai fazendo, faz desabafos, e dá opiniões sobre coisas das quais não percebe nada.
Isto, porém, também é uma ideia limitada do que é um blog pessoal. Ou então podemos chamar a isso um blog pessoal puro… mas já vamos ver que há, na verdade, poucos desses.
A maior parte dos blogs são o que se pode chamar “semi-pessoais”, mas talvez seja bom ver estes como os verdadeiros blogs pessoais. Ou seja, o autor não escreve necessariamente sobre coisas íntimas ou pessoais (ex. o que tem feito), mas simplesmente escreve sobre o que lhe apetece. Isso tende, naturalmente, a coincidir com os seus interesses (por exemplo, um geek escreverá sobre temas “geeky”), mas, mesmo assim, o blogger em questão não está limitado a tema nenhum. Escreve sobre o que quer, dá opiniões sobre o que quer, pode ocasionalmente contar alguma experiência sua, ou dissertar sobre determinado tema (ex. o livro que acabou de ler, o filme que viu ontem, o problema social de que os jornais falam na altura, as suas peripécias ao instalar um Linux, etc.), mas o post seguinte pode não ter nada a ver.
Ora, como disse, acho que são estes blogs que se podem chamar “pessoais”; acho que limitá-los aos “querido diário” é limitativo e não faz realmente sentido (além de que, aí, todos os blogs pessoais seriam de adolescentes
).
Uma coisa que é comum a todos ou quase todos os blogs deste género é que são o único blog do autor. Afinal, se ele escreve sobre o que lhe apetece, não há necessidade de ter mais blogs, pois não?
Por esta definição, por exemplo, todos ou quase todos os blogs no Planeta Asterisco são “pessoais”. A maioria fala bastante sobre tecnologia, é certo, mas apenas porque isso faz parte dos interesses dos autores; não houve uma decisão tipo “vou criar um blog sobre tecnologia.”
A alternativa a blogs pessoais é, obviamente, os blogs temáticos. Aqui, há uma decisão consciente: escrever sobre determinado tema (o que não impede que haja excepções, ocasionalmente). Neste caso, o blog assemelha-se a uma “revista”, e não a um “diário”. Assim como há revistas sobre informática / carros / fotografia / finanças, há blogs sobre informática / carros / fotografia / finanças.
Estes blogs tendem a 1) pertencer a quem tem mais do que um blog, e 2) ter mais do que um autor por blog (tal como uma revista tem artigos de diversos autores, ou um jornal vários repórteres). Contraste-se isso com os pessoais, em que 99% dos casos há a correspondência “1 blog - 1 autor”.
Como disse no início, ainda há quem considere que “blogs” são sempre dos primeiros (pessoais). Felizmente, as percepções vão mudando com o tempo, e os blogs temáticos começam a não ser vistos como “aberrações”.
A seguir: blogs “interessantes”, ou “úteis”?